Dicas para visitar Machu Picchu | Meu relato

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Quando fui pro Peru, um pensamento tomava conta da minha cabeça: finalmente conheceria a mitológica Machu Picchu! A cidade perdida dos Incas, esquecida por séculos, protegida da voracidade dos conquistadores espanhóis graças ao isolamento. Trazida ao conhecimento do mundo em 1911 pelo pesquisador americano Hiram Bingham, essa cidade fenomenal, na verdade, já era bem conhecida pelos indígenas locais, tanto é que o Dr. Bingham foi levado até as ruínas por um menino quéchua que morava na região. Naquela época, Machu Picchu encontrava-se coberta pelo mato, mas impressionantemente bem preservada.

Hoje, a cidade está bem diferente, impecável, muito bem zelada e conservada, parece uma maquete em tamanho real, de tão bem cuidada, e as hordas de turistas apressados que lotam as ruínas não tiram seu encanto!

Para quem se interessa pela história da descoberta, assista a esse documentário da National Geographic (em inglês) no Youtube:

Lost Cities of the Inca – National Geographic Documentary 2016

Machu Picchu, a cidade perdida dos Incas
Machu Picchu, a cidade perdida dos Incas

Dicas para visitar Machu Picchu

  • Há um limite diário de visitantes, então compre seu ingresso com dois ou mais dias de antecedência. Se pretende subir a montanha Huayna Picchu, faça sua reserva mais cedo ainda, cerca de um mês antes! Para isso, entre no site oficial, que pode ser acessado clicando aqui.
  • Pernoite em Aguas Calientes, a simpática cidadezinha aos pés da montanha, e chegue às ruínas cedo no dia seguinte, antes das multidões.
  • Contrate um serviço de guia para não ficar boiando. Cada pedra, entalhe ou encaixe de blocos não está ali à toa, e pode ter um significado interessantíssimo! Não deixe que esses detalhes passem despercebidos. Guias autorizados podem ser contratados na portaria do sítio arqueológico por cerca de S/120 (Soles, a moeda peruana).
  • Leve roupas leves, um chapéu, água, um lanche…e uma capa de chuva! Nunca se sabe!
  • Carimbe seu passaporte na portaria com um “Estive em Machu Picchu”. Ah tá, meio “turistão” né? Tá bom, não faça isso e se arrependa! (Como eu!)
  • O ponto de partida é sempre Cusco, a antiga capital do Império Inca, cidade única e que, por si só, já vale uma viagem ao Peru! Há várias maneiras de se chegar à Machu Picchu, desde o confortável (porém caro) trem que te deixa em Aguas Calientes, a alternativas um pouco mais radicais, como a famosa Trilha Inca, a Inca Jungle Trek e a Trilha Salkantay, todas envolvendo dias de trekking pesado e atividades em meio à natureza.
  • Em geral, esse não um passeio dos mais econômicos mas, como para (quase) tudo na vida, há, sim, uma alternativa barata para visitar Machu Picchu: ir até a cidade de Santa Tereza e depois até Aguas Calientes caminhando pelos trilhos do trem, passando pela hidrelétrica. Para mais detalhes, visite o foradazonadeconforto.com.
  • Machu Picchu está a 2400 metros de altitude, cerca de 1000 metros abaixo de Cusco, e quem já está ambientado à altitude desta cidade, não sentirá os efeitos do soroche, ou o “mal da montanha”. Portanto, o melhor é ficar em Cusco por uns três dias e só então ir a MP, para ter maior disposição para caminhar pelas ruínas.

A minha experiência na transcendental cidadela

Desta vez resolvi permanecer na minha zona de conforto. Não optei por nenhuma das vias “radicais”, fui de trem, porém não saí de Cusco e, junto com uma amiga, a Paulinha, conjuguei a ida a MP com a visita ao Valle Sagrado de los Incas, só tomando o trem em Ollantaytambo.

O trem é muito confortável e cheio de gringos, uma boa ocasião para trocar ideias e rir um bocado. Chegando em Aguas Calientes, assim que saímos do trem, fomos recebidos por funcionários do hotel, que traziam uma placa chamativa com o nome do estabelecimento: “Gringo Bill`s”, um lugar bem bacana! Recomendo!

La ciudad perdida de los Incas

O primeiro vislumbre que tive da incrível cidade foi pela janela do ônibus que nos levou pela íngreme estrada que sobe desde Aguas Calientes em um interminável e enjoativo zigue-zague. Lá estava ela, impressionante, encaixada no alto de uma montanha, contra todo senso comum que diz respeito à planejamento urbano.

A estrada de Machu Picchu
Machu Picchu e a estrada que sobe desde Aguas Calientes (vista da Porta do Sol)

Ao fim da (aparentemente) infinita subida, já na portaria do sítio arqueológico, uma multidão fazia fila, guias procuravam clientes e crianças corriam para todos os lados, uma atmosfera bem agitada. Decidimos contratar uma guia e nos juntamos a um casal para formar um grupo de quatro pessoas, além da guia.

Não quero soar clichê mas, ao entrar na cidade propriamente dita, realmente senti algo diferente, talvez simples emoção por estar ali, ou algo mais espiritual, relacionado ao alinhamento dos astros e energias transcendentais do lugar…sei lá…aí vai da crença de cada um. Confesso que quase me deu vontade de sair procurando o tal portal para São Tomé das Letras!

À medida que andávamos pelas ruínas, a guia ia fornecendo informações sobre a cidade e o modo de vida de seus habitantes. Cada bloco de granito, sua forma, e o modo como se encaixa a outros blocos, bem como a disposição da construções, tinha um propósito, um significado relacionado aos fenômenos da natureza e, de alguma forma, ao alinhamento dos astros, principalmente o sol e a lua.

Após a visita guiada, que durou cerca de duas horas, uma caminhada de 40 minutos nos levou até a chamada Porta do Sol, um local com uma vista privilegiada de Machu Picchu e de toda a região. Nesse lugar também existem ruínas, aparentemente remanescentes de construções militares que serviam para controle de entrada e saída de pessoas da cidadela. Para quem vem pela Trilha Inca, este é o primeiro ponto de onde se pode ver Machu Picchu.

Machu Picchu vista da Porta do Sol
Vislumbrando Machu Picchu a partir da Porta do Sol

Quando voltamos à cidadela, as multidões já haviam ido embora, o que permitiu andar pelas ruínas com maior liberdade, curtindo cada minuto naquele lugar incrível. Por volta das 17hs pegamos o último ônibus de volta a Aguas Calientes e, logo em seguida, o trem de volta a Cusco.

Esse é um destino dos sonhos de muita gente, como era um dos meus. No futuro quero voltar, mas a rota será pela Trilha Inca, e certamente subirei Huayna Picchu (a montanha que aparece acima da minha cabeça nessa foto aí)!

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2 Respostas

  1. Algumas pessoas perguntam quando é melhor viajar a Machu Picchu?
    Machu Picchu fica numa região que recebe muitas chuvas no verão, e o período entre Janeiro e março não é aconselhável para sua viagem
    Porque as chuvas são intensas porem aconselhamos viajar nos meses secos.
    A alta temporada vai de maio a setembro, quando chove menos. Dentro desses meses, maio e agosto são os melhores para conhecer o legado inca, já que a probabilidade de precipitação é menor ainda. De dezembro a março chove com frequência, e, nos dias em que chove muito, o parque é fechado. Por isso é aconselhável viajar quando o tempo é mais seco mesmo.
    Ir com o tempo seco ainda evita o incômodo com pernilongos, que pode ser frequente na época de chuvas.
    A temperatura média anual da região está na casa dos 22ºC, e cai quase pela metade à noite, mas no inverno as temperaturas podem chegar a -0ºC.
    Desejo a todos uma ótima viagem!!

  2. facebook-profile-picture

    Valeu pelas dicas Juvenal!

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