O dia em que cheguei a La Paz, Bolívia

postado em: Bolívia, Crônicas, Turismo urbano | 0
Cheguei à La Paz vindo de Copacabana, uma cidade à beira do lago Titicaca, viajando em um ônibus local de uma empresa chamada Manco Capác, em homenagem ao progenitor de todos os incas, o pai da civilização, segundo a tradição. Terraços agrícolas pré-colombianos com seus característicos muros de pedras se espalhavam pelas encostas por todos os lados. Fiquei só a imaginar quanta gente seria necessária para comer todo o alimento gerado em tanto terreno preparado para plantio.
Os terraços agrícolas incas no caminho entre Copacabana e La Paz.
Os terraços agrícolas incas no caminho entre Copacabana e La Paz.

No ônibus, a senhora indígena sentada na poltrona ao lado tinha cheiro de comida, e em pouco tempo percebi que ela trazia consigo um saquinho de plástico na mão, dentro do qual havia algo cozido que ela ia comendo pelo caminho. O cheiro era um tanto desagradável, mas ela parecia não se importar.

Lá pelas tantas, o ônibus parou na estrada por causa de um desfile. Pessoas passavam fantasiadas, trazendo tambores e batuques, que tocavam animadamente, à medida que o desfile avançava pela estrada. Daí a pouco voltamos a andar, mas paramos logo em seguida,dessa vez para abastecer.

De novo o ônibus voltou a andar, e chegamos à La Paz em plena hora do rush. Quanta bagunça! Quanta buzina, sujeira e entulho! A maioria dos carros podia constituir legítimas peças de museu! E eu mal sabia o ponto final do ônibus, mas segui na fé em Pachamama de que tudo daria certo.

A viagem ficava cada vez mais interessante. De repente, no meio ao caos urbano da capital boliviana, vi um sujeito urinando no canto da rua. Quando me toquei, vi que se tratava do nosso motorista, que decidiu abandonar o ônibus para atender ao chamado da natureza.

O caos urbano em La Paz.
O caos urbano em La Paz.

Desci do ônibus no ponto final, próximo a um certo cemitério, já quase à noite. Calafrios percorreram minha espinha. Não pelos mortos, mas pelos muitos vivos de aparência suspeita que passavam por ali. Sem querer me aventurar em transportes públicos àquela hora e naquele lugar estranho, tomei um táxi até o Loki Hostel, onde ficaria hospedado nos próximos dias.

Assim cheguei à La Paz, a sede do governo da Bolívia, uma efervescência de sabores, música e trânsito, à mais de 3.500 metros de altitude.

Entre as muitas peculiaridades da cidade, estão os mercados, dentre os quais se destaca o Mercado de Las Brujas, um aglomerado de lojas e barraquinhas de rua, nas quais se vende todo tipo de amuletos e mandingas, e onde se pode encomendar feitiços para atrair dinheiro, sucesso, um amor, ou uma vingança contra um desafeto.

O mercado de artesanato na capital boliviana também é excepcional. Por ruelas e becos se encontram lojas vendendo blusas, ponchos, cachecóis e gorros de lã de alpaca, bem como instrumentos musicais, brinquedos e enfeites. Impossível sair de lá sem comprar alguma coisa!

Fetos de lhama à venda no Mercado de Las Brujas, itens comuns por ali.
Fetos de lhama à venda no Mercado de Las Brujas, itens comuns por ali.
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