A Travessia Petrópolis-Teresópolis

travessia petropolis teresopolis

O Parque Nacional da Serra dos Órgãos é uma unidade de conservação administrado pelo ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade), e está localizado no maciço granítico da Serra dos Órgãos, no estado do RJ, que leva esse nome devido à semelhança dos picos com os tubos de órgãos de igreja. A serra é caracterizada pelo relevo dramaticamente recortado e pelos desníveis intensos, que variam de 100 a 2.275m, seu ponto culminante: a Pedra do Sino. Outras formações de destaque são o Dedo de Deus e o Garrafão. travessia petropolis teresopolisrav tradfajsodfoasjfojdoafjsdessia petropolis teresopolis

Vista dos "Portais de Hércules", no segundo dia da travessia petropolis teresopolis
Vista dos “Portais de Hércules”, no segundo dia da travessia

A travessia Petrópolis Teresópolis

A travessia que liga as cidades de Petrópolis a Teresópolis, no estado do Rio de Janeiro é, sem dúvida, a mais famosa do Brasil, e apontada por muitos como a mais bonita do país. Se você é um trilheiro experiente, que gosta de ir pro mato e caminhar por horas a fio, apreciando as belezas naturais e curtindo paisagens deslumbrantes, provavelmente já deve ter feito. Se não, certamente já ouviu falar, e deveria  seriamente levar em consideração encarar os 32 km de sobe-e-desce que atravessam o coração da Serra dos Órgãos. travessia petropolis teresopolis

Geralmente se completa a travessia em 3 dias mas, dependendo da disposição e preparo do grupo, pode-se fazer em menos. As orientações abaixo estão adequadas ao número tradicional (3).travessia petropolis teresopolis

Imagem Google Earth mostrando a travessia petropolis teresópolis
Imagem Google Earth mostrando a travessia Petrópolis-Teresópolis

A maioria das pessoas começa na Portaria do Parque Nacional da Serra dos Órgãos em Petrópolis, subindo até o abrigo de montanha do Açú, onde é feita a primeira pernoite. O segundo dia compreende o trecho entre o abrigo do Açú e o abrigo da Pedra do Sino, o trecho mais difícil, tanto pela navegação quanto pela intensidade da caminhada, que inclui muitos sobe-e-desce e pontos complicados, como o “Elevador” e o “Cavalinho”. O terceiro dia é o mais tranquilo: uma suave descida em zigue-zague em meio à mata atlântica até a sede do Parque em Teresópolis.

Orientações Gerais

Não é uma travessia especialmente difícil, mas definitivamente não é para trilheiros inexperientes! Se não tem muito costume em andar pelo mato, talvez seja melhor começar por algo mais leve e pegar algumas dicas para iniciantes. Mas se já tem alguns km rodados em terreno acidentado, e já tenha feito outras travessias, vá em frente!

Para comparação: se já fez a travessia da Serra Fina, vá fundo! A Petro-Terê será tranquila!

A navegação pode ser bem complicada em dias fechados/chuvosos. Já passei perrengues por lá com o tempo feio, quando fiz em dois dias com uma amiga. Se possível, leve um GPS com o tracklog completo da travessia e roteiros impressos para orientação. travessia petropolis teresopolis

Como é uma trilha famosa, é feita por muita gente. É imprescindível que se faça reservas com considerável antecedência!!! Se for em feriado, procure fazer a reserva com dois meses de antecipação. O parque é muito bem controlado nas portarias e nos abrigos existem funcionários sempre dispostos a ajudar trilheiros em dificuldades. Para informações oficiais e fazer a reserva, entre no site do Parnaso.

Os abrigos (Açú e Pedra do Sino) são bem estruturados. Pode-se, inclusive, optar por ficar em beliche ou bivaque dentro dos chalés, o que é infinitamente mais confortável do que acampar do lado de fora (experiência pela qual também passei…na chuva!). Quem fica dentro pode usar o banheiro e a cozinha.

Um cantil de um litro e uma garrafinha de 500 ml são suficientes, já que há muitos pontos para abastecê-los com água. Como é uma rota muito utilizada, procure utilizar Clorin, nunca se sabe se alguém usou ou não a moita acima da água como banheiro.

A galera nos "Castelos do Açú", no primeiro dia da travessia petropolis teresopolis
A galera nos “Castelos do Açú”, no primeiro dia da travessia

Roteiro sugerido

Sugiro que façam o sentido Petrópolis-Teresópolis, que é aquele que proporciona as melhores vistas. Você estará, na maior parte do tempo, de frente para a serra, e é melhor enfrentar o Cavalinho e o Elevador de baixo pra cima, e não o contrário.

Três dias é um bom número para se poder aproveitar melhor a experiência na montanha. Distribui melhor o tempo e o esforço, além de proporcionar a oportunidade de apreciar o pôr e/ou o nascer do sol em dois pontos estratégicos: os Castelos do Açú e a Pedra do Sino…se tiver essa chance, não desperdice!

Dia 1 – Portaria Petrópolis – Castelos do Açú (9km)

Dia intenso, que incluia a chamada “Isabeloca”, uma subida interminável em zigue-zague pela qual, supostamente, a princesa Isabel passou montada no lombo de mulas. Vencido o trecho, chega-se à parte alta da serra, de onde se pode ver o Rio de Janeiro e a Baía de Guanabara.

Continua-se subindo até os imensos blocos de granito chamados “Castelos do Açú”, onde há várias opções para acampar. O abrigo fica a uns 50 metros dos “castelos”. travessia petropolis teresopolis

Esse trecho pode ser percorrido em cerca de 5 horas, incluindo paradas para fotos e contemplação.

Se o tempo estiver aberto, não perca o pôr do sol do alto do morro do cruzeiro! E, depois disso, observe o céu estrelado e as luzes da cidade do Rio de Janeiro.

Contemplando o pôr do sol do alto do morro do cruzeiro, próximo ao abrigo do Açú, travessia petropolis teresopolis
Contemplando o pôr do sol do alto do morro do cruzeiro, próximo ao abrigo do Açú

Dia 2 – Castelos do Açú – Pedra do Sino (11km)

Dia mais difícil da travessia. Acorde antes do nascer do sol para poder contemplá-lo antes de recomeçar a caminhada.

Apesar de já estarmos na parte alta da serra, a trilha sobe e desce vários vales, o que deixa as pernas frouxas no final do dia. A navegação também é um pouco complicada, por isso, fique atento aos totens e às marcações quando a trilha desaparece nas várias lages de pedra que atravessa.

É no segundo dia que se passa pelos pontos mais complicados: o “elevador” e o “cavalinho”. Nem tanto pelo primeiro, que é um trecho muito inclinado, mas com degraus de aço fixos na rocha, que são essenciais para subir a ladeira, mas o cavalinho sim, um trecho bem escabroso. A trilha segue encaixada na lateral da montanha, e existe um bloco de rocha atravessado no meio do caminho (o “cavalinho”), que deve ser escalado à beira do penhasco. É melhor levar uma corda para içar as mochilas e subir a tal pedra sem peso nas costas…o segredo é não olhar pra baixo (vejam o vídeo abaixo)!

Esse trecho leva umas 5 horas num ritmo bom, mas com as tradicionais paradas para fotos e apreciação da paisagem. travessia petropolis teresopolis

O temido "Cavalinho", vencido no segundo dia da travessia petropolis teresopolis
O temido “Cavalinho”

Bônus no segundo dia

Cerca de meia hora após sair do abrigo do Açú, no chamado “morro do Marco”, pegue a direita em uma bifurcação com uma pequena pirâmide de pedras e siga até os “Portais de Hércules”, de onde se tem a vista mais deslumbrante de toda a travessia! Fique atento à bifurcação e aos totens (antes de sair do abrigo, peça orientação aos guias do parque!).

Se for aos portais, acrescente 1h30min ao plano do dia.

Dia 3 – Pedra do Sino – Portaria Teresópolis (12km)

O último dia é, de longe, o mais tranquilo, apesar de ser o trecho mais longo: é só uma descida suave em zigue-zague em uma trilha bem batida no meio da mata atlântica. Sem dificuldades de navegação e nem de esforço físico, e deve levar umas 4 horas.

Observe a interessante fauna e flora do local. Há grande quantidade de orquídeas, bromélias e musgos. travessia petropolis teresopolis

O nascer do sol visto da "Pedra da Baleia", próximo ao abrigo da Pedra do Sino, no terceiro dia da travessia petropolis teresopolis
O nascer do sol visto da “Pedra da Baleia”, próximo ao abrigo da Pedra do Sino

O que levar

Como toda travessia de montanha, a Petrô-Terê é um trekking que exige alguns cuidados com a tralha que se leva. É importante ir preparado para o pior, ou seja, assumir que vai pegar neblina, chuva e frio na montanha. Caso isso não aconteça, ótimo, tá no lucro. Caso contrário, e se você não estiver preparado para o perrengue, tá f*dido! Então anota aí:

  • Recipientes para água (sugiro um litro e meio, uma vez que há muitos pontos para abastecimento ao longo do caminho)
  • Comida (sugestão: pão de forma, queijo, mortadela, castanhas, frutas secas, biscoitos, macarrão instantâneo, chá, café solúvel)
  • Roupas básicas – camisetas de malha ou dry fit, calças, meias, roupas de baixo.
  • Roupas de frio adequadas (segunda pele inferior e superior, fleece, toca, luva, anorak)
  • Roupas impermeáveis (capa de chuva, calça impermeável) travessia petropolis teresopolis
  • Barraca de boa qualidade, que suporta chuva e vento (se não for ficar dentro dos abrigos)
  • Saco de dormir travessia petropolis teresopolis
  • Isolante térmico (se for acampar ou bivacar nos abrigos)
  • Botas boas (impermeáveis e já amaciadas) travessia petropolis teresopolis
  • Sacos plásticos para isolar suas coisas dentro da mochila, abrigando-as da chuva (sugiro aqueles sacos grandes, usados para lixo)
  • Lanterna travessia petropolis teresopolis
  • GPS, mapas e relatos impressos. Excelentes relatos no Coconomato.com e no site do ICMBio.
  • Kit primeiros socorros e “farmacinha” (curativos, bandagens, gaze, esparadrapo, antialérgico, gelol, anti-inflamatório, analgésico, antidiarreico, antitérmico,
  • pomadas para queimadura e picadas de insetos, etc)
  • Papel higiênico (importantíssimo para emergências no mato!)
  • Mochila cargueira para carregar isso tudo e respectiva capa impermeável

E alguns itens opcionais

  • Bastões de trekking – sensacionais para aliviar os joelhos nas descidas e ajudar as pernas nas subidas
  • Cachecol travessia petropolis teresopolis
  • Câmera
  • Canivete travessia petropolis teresopolis
  • Meias próprias para trekking

Quando ir

O clima no sudeste do Brasil tem duas estações do ano bem definidas: chuvas e estiagem. A temporada de montanhismo é, portanto, na estiagem, de maio a setembro. Fora dessa época, o risco de chuvas, tempestades e trovoadas é alto. Ninguém quer ser pego por uma tempestade de raios na crista de uma serra, certo? travessia petropolis teresopolis

Como sempre gosto de dizer: o mais importante para uma trilha na montanha é a consciência dos seus próprios limites e o planejamento! A trilha não é fácil, mas com disposição, experiência e bom senso, não tem erro! Siga as recomendações! Seja prudente e, acima de tudo, respeite a montanha!

Assista ao vídeo:

Travessia Petrópolis-Teresópolis

Curtiu? Compartilhe!Share on FacebookTweet about this on TwitterPin on PinterestShare on Google+

Uma resposta

  1. Maria Eliza de C. Moreira

    Linda! Maravilhosas fotos é sensacional vídeo! Que turma animada e desafiadora! Energia, “gás ” e disposição e o que não falta a vcs! Para mim, uma ” esdrúxula” aventura para ser admirada e apreciada”daqui” da minha sala, no conforto do meu sofá ! KKKKK!!! Parabéns, Gabriel, pela incrível coragem de apreciar grandes desafios! Parabéns,pelo trabalho na realização de mais uma matéria para o seu blog, que cada dia mais, se torna mais enriquecido!

Deixe uma resposta