Trekking em Chefchaouen, Marrocos

Chefchaouen

Era um dia ameno, que não prometia o calor intenso que havia feito no dia anterior. A temperatura e a brisa que soprava eram inspiradoras para uma boa caminhada para além das muralhas medievais da cidade azul.chefchaouen

Chefchaouen ao sol
Chefchaouen ao sol
E eu não tinha planos bem definidos para o dia, não sabia como chegaria a alguma das montanhas que cercam Chefchaouen, mas definitivamente queria sair por ali, explorar um pouco as paisagens naturais.

No café da manhã conversei brevemente com um americano que pretendia subir o Jbel el-Klaâ, o pico mais alto da região. Perguntei a ele dos planos, das condições da trilha, como chegar até lá, etc. Mas ele não sabia muito, só disse que ia encontrar uma galera que conhecia a trilha, se juntar a eles e ir pra lá. Como eu não sabia muito bem o que queria fazer, decidi continuar com os planos em aberto, começando com uma caminhada pela cidade, mas antes, dei uma pesquisada na internet e, com certa dificuldade, achei um blog de um cara que descrevia em detalhes o percurso.

Com esse relato em mãos (salvo no IPhone) e uma curta nota sobre a trilha do meu guia Lonely Planet, me pus a caminhar…

No início, percorri uma estrada que sobe em um zigue-zague interminável em meio a uma floresta de pinheiros e, após alguns kilômetros, já podia ter vistas privilegiadas de Chefchaouen e das montanhas do Rife, nos entornos. À medida que subia, lá embaixo, podia avistar fazendas com cabras e, chegando a um vilarejo quase deserto, os pinheiros foram ficando mais escassos, sendo substituídos por arbustos.

Não tendo passado por quase ninguém na estrada, nem pelo americano do hostel, nem por sua galera, percebi que aquilo era uma experiência bem autêntica, fora do circuito batido dos viajantes, o que fez com que fosse ainda mais interessante!chefchaouen

A estrada para o Jbel el-Kelaâ, acima de Chefchaouen
A estrada para o Jbel el-Kelaâ, acima de Chefchaouen

Movido pela curiosidade, pela vontade de cumprir o objetivo de atingir o pico e orientado por um relato aleatório que encontrei pelo Google, continuei subindo, com a sensação de “será que isso vai dar certo?”.

Deixei a estrada e peguei uma trilha através de uma paisagem rochosa e logo logo “trombei” com elas…plantações de cannabis ali, no meio da trilha…fiquei tenso, com medo de ser abordado por guerrilheiros guardando suas plantinhas com fuzis e metralhadoras…mas ali é diferente, parece que o pessoal não se importa muito…bem diferente das histórias que ouvimos sobre a América Latina.

Trilha acima, até fui convidado para um chá com ervas…mas isso é outra história.

Após as plantações, a dificuldade foi aumentando. A trilha mais íngrime e o sol alto foram minando minhas forças e meu ânimo. Estava sozinho, e o mais simples dos problemas poderia se transformar em um problemão, caso algo desse errado.

Estafado, finalmente encontrei uma sombra embaixo de uma pedra, na “sela” da montanha, já quase no cume. Descansei, bebi muita água, comi e apreciei a paisagem…forças recuperadas, retomei a subida, e ali as ramificações da trilha dificultavam a navegação, mas, por volta de 13hs chegei ao cume!

Objetivo alcançado! Belíssima paisagem, e ninguém no cume além de mim! Chefchaouen lá embaixo…chefchaouen

Chefchaouen vista do Jbel el-Kelaâ
Chefchaouen vista do Jbel el-Kelaâ
Descer a trilha foi bem tranquilo, só no início é preciso cuidado para não rolar no chão cascalhento e, como “pra baixo todo santo ajuda”, o sol a pino não incomodou tanto quanto na subida.

Já quase de volta à estrada, novo susto, passei por um sujeito que disse ser o administrador do inusitado empreendimento agrícola. Novo convite para um chá com ervas, novamente recusei e agradeci…segui meu caminho, com a estranha sensação que logo seria abordado por um jeep cheio de guerilheiros armados, querendo minha cabeça…mas correu tudo bem!

De volta a Chefchaouen, dei uma volta na medina e voltei ao hostel Aline, para dar uma relaxada e me preparar para o próximo dia.chefchaouen

O Jbel el-Kelaâ visto de Chefchaouen
O Jbel el-Kelaâ visto de Chefchaouen

Dicas

Essa trilha leva o dia todo e não é para iniciantes. Fiquei surpreso por não ter passado por outros trekkers, nem na ida nem na volta, o que contribuiu para que a experiência fosse ainda mais autêntica. Mas definitivamente não recomendo fazer esse tipo de atividade sem companhia!!! Qualquer pequeno acidente pode virar um problemão!

Procure informações na cidade, tente encontrar companhia e, antes de sair, deixe o pessoal da administração do hostel (ou pousada) à par dos seu planos. Em último caso, se você não aparecer de volta à hospedaria até certo horário, vão notar sua ausência, e pode ser que alguém se interesse em resgatá-lo. Seja responsável e preze por sua segurança!

Essa trilha não é óbvia, e não há placas indicativas pelo caminho. Informe-se no seu hostel ou procure instruções no Google. Esse relato em inglês foi o que eu usei. Está muito bem detalhado!

Boa sorte!

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